Quarta-feira, Junho 22, 2011

Na fotografia com Walter Firmo


O poeta da cor, como é conhecido Walter Firmo, esteve em Curitiba para passar seus ensinamentos de mais de 50 anos de fotografia para aspirantes à arte da luz. O curso é ofertado pela Escola de Fotografia Portifólio e ocorre uma vez ao ano, a temática de dessa edição foi “A Poesia da cor na composição de retratos de rua”. Este ano o evento teve um significado especial pois se iniciou no dia 1º de junho, quando Walter Firmo completou 74 anos de vida.

Firmo foi um dos alicerces do fotojornalismo no Brasil. Iniciou sua carreira no Última Hora, passou para o Jornal do Brasil onde recebeu o prêmio Esso de jornalismo pela série de matérias intitulada “Cem dias na Amazônia de ninguém”. Ainda foi o primeiro fotografo convidado a participar da Revista Realidade. Nos últimos 25 anos se dedica a lecionar fotografia mas deixa claro “Não sou professor, no sentido acadêmico. Estou aqui para passar tudo que aprendi, pois no meu tempo não havia pessoas que fizessem isso”.

O carioca de Irajá conta como divide o ato de fotografar de três maneiras: o Ladrão, o engenheiro e o invisível. Firmo explica que praticou muito do ladrão em sua carreira jornalística. “Tinha que registrar o factual, então roubava as imagens. Você sai na rua em tem que voltar com a imagem se não perdia o emprego” esclarece a respeito do ladrão. Ao explicar o engenheiro Walter lembra da foto que fez de Pixinguinha que para ele retrata a ausência do músico. “Conduzi ele até a cadeira de balanço e coloquei o seu instrumento do lado. Hoje essa foto é a mais lembrada dele”. E o fotógrafo ainda nos introduz ao mundo de Cartier Bresson ao falar sobre o invisível. “O fotógrafo invisível é o que o Bresson fazia, ele escolhia o quadro e esperava algo acontecer. Ele era desenhista, e isso você vê nas fotos dele. Ele escolhia a cena e fotografava, e a pessoa nem percebiam”.

Walter conta como se encantou pelo mundo das cores dizendo que “Via os ensaios desse cara que hoje ninguém mais da bola, o americano David Zingg. Ele realizou ensaios maravilhosos pela Revista Manchete. Me encantei pelos tons desse mundo abaixo do trópico. A mistura dos tons quentes com os frios”. E quando perguntado como ele tira suas foto Firmo ironiza lembrando de uma estória. “Cara, uma vez perguntaram pra um músico de Jazz como ele improvisava. Não tem como explicar isso, ele vai sentindo. É sensibilidade, para fotografar tem que sentir. Eu sei quando devo pedir uma foto, sei o que a pessoa vai dizer. Aprendi a ler as pessoas trabalhando no jornal, fotojornalismo não é técnica, é pura sensibilidade”.


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