
O livro “A República” de Platão escrito a mais de 2.300 anos é extraordinário e uma leitura indispensável para compreendermos nossa sociedade. Nos deparamos com ideias que são tão contemporâneas e desenvolvidas com tanta elegância e habilidade que temos a sensação de estar lendo um livro escrito atualmente. Platão aborda questões que são perceptíveis em nossa sociedade e nos proporciona uma prova de que pouco evoluímos nas relações humanas.
Os problemas discutidos em seu livro investigam pelo método da dialética os mesmos problemas ainda podem ser vistos na atualidade. Salve diferenças que podem ser entendidas pelo contexto histórico, seu discurso fala sobre o homem em sociedade. A obra utiliza Sócrates, seu mentor como protagonista de suas estórias. Questionado a responder se vale mais ser um homem justo ou injusto, e quem desses seria feliz ou infeliz, Sócrates desenvolve sua República Utópica.
O que leva a criação dessa República é que na sociedade grega em que viviam não poderia afirmar que ser justo seria de total vantagem, pois essa sociedade era falha. Em contraste a essa sociedade falha nos impressionamos ao notar como nossa República possui características tão parecidas. Crescemos em número e em tecnologia, mas como cidadãos pouco evoluímos. Ao ler as falhas de caráter que os cidadãos estavam expostos a 2.300 anos, hoje encontramos as mesmas falhas e algumas até piores caso desejemos nos dedicar a essa investigação.
A República idealizada por Sócrates se inicia a investigar como se poderia criar um estado justo para todos, na visão de que assim valeria mais para todos seguir uma vida equilibrada e justa para que o estado prospere. O injusto nesse estado não teria como ser feliz pois diferiria em todos aspectos do justo, e essa não teria nada a agregar para o estado.
Ainda aponta como necessária a mudança dos costumes e valores, a necessidade de representantes que possam reconhecer o que é melhor para o estado. Esses pontos são interessantes pois as críticas feitas aos valores e aos representantes podem sem muita mudança serem aplicadas a nossos valores e representantes que acham que “Justiça é quase uma arte de roubar, mesmo que seja em benefício dos amigos e em prejuízo dos inimigos”. Pensemos nesses amigos como patrocinadores das campanhas eleitorais e inimigos os patrocinadores das campanhas de seu opositores.
Em meio a essa atmosfera assistimos um relato histórico de uma sociedade viciada em que apenas poderia ser salva com uma mudança radical de seus valores e sua educação, para gerar cidadãos que compreendam o estado além do que seus olhos podem ver. E o fascinante é que essas doenças sociais ainda permanecem em nossa sociedade. E mais ainda que nossa democracia não passa de uma anarquia onde prevalecem diversos tipos de governos desde oligarquias, a tiranias e até dinastias. Nossa sociedade é a imagem de uma democracia que na realidade é constituída das mesmas desigualdades sociais e com governantes ávidos em defender seus próprios interesses assim com na antiguidade.
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